| Inteligência
Ativa® |
Flutuação
Cambial e a Rentabilidade da Safra
A recente
valorização do
Dólar frente ao Real trouxe alguma surpresa para os
produtores
agrícolas. Aqueles que possuem contratos de
prefixação em US$ ficaram felizes, já
que essa
valorização traz a perspectiva de melhora dos
preços a serem recebidos no momento da entrega em 2012.
Já aqueles produtores que realizaram a compra de insumos na
moeda americana para pagamento a prazo safra, e ainda não
fixaram ou prefixaram pouco, estão menos contentes com o
movimento.
A rápida mudança de cenário se deve ao
recrudescimento da crise da dívida europeia que
provocou
a fuga dos especuladores para os mercados de menor risco, ou seja, a
busca dos títulos americanos, considerados “os
mais
seguros do mundo”. Esse também foi o motivo que
provocou a
queda dos preços das commodities
no mercado internacional em
setembro/11 como efeito reflexo. Como referência, nesse
mês, de forma geral, houve a maior queda
das
commodities desde 2008, quando houve a quebra do banco Lehman Brothers.
No cenário internacional, temos observado, especialmente no
final de setembro, a fuga dos hedge
e speculative
funds
do mercado de commodities
em busca de ativos mais seguros e também para
cobrir
a falta de liquidez, especialmente dos bancos europeus.
O contrato de soja em CBOT, com vencimento em mar/12, por exemplo,
passou de US$ 14,49/bushel para US$ 11,98/bushel, entre o primeiro e o
último dia do mês. Na BM&F, a
cotação
caiu de US$31,98/saca para US$ 28,10/saca. Já o contrato de
milho, com vencimento no mesmo mês, passou de US$ 7,50/bushel
para US$ 6,05/bushel no mesmo período em CBOT e na
BM&F caiu
de R$ 28,80/saca para R$ 27,00/saca. Nesse sentido, a queda das commodities tem
anulado o efeito positivo da alta do dólar
para
o setor exportador agrícola.
Queremos chamar a atenção para os produtores que
realizaram compras de insumos em dólar para pagamento a
prazo
safra junto aos seus fornecedores. Para os produtores que fizeram essa
operação, o custo de
produção apresenta
perspectiva de ser maior, em função do
encarecimento do
dólar. Não podemos esquecer que, na maior parte
dos
casos, os mesmos produtores que indexaram a compra de insumos ao
dólar também já indexaram a venda da
safra futura
a essa moeda, até o final de agosto/11. De certa forma, essa
compensação minimiza o problema. Nesse caso, o
impacto
negativo do aumento do custo de produção
é pequeno
se comparado ao aumento da receita gerada pela venda do grão.
Na Tabela seguinte, mostramos o impacto da
valorização
cambial sobre resultado econômico de um produtor em
Sapezal/MT.
Esse produtor realizou compra de defensivos em dólar em
março de 2011, ao valor de US$ 129,6/hectare. Na
época,
com o câmbio no patamar de R$ 1,65/dólar, essa
compra
representava uma perspectiva de desembolso futuro de R$ 213,8, em
março/12, mês do vencimento. No cenário
atual,
supondo que o câmbio esteja a R$ 1,80/dólar no
momento do
vencimento, a compra de defensivos representará um
desembolso de
R$ 233,3/hectare, o que significa um aumento de R$ 19,5/hectare sobre a
expectativa inicial, no momento de efetivação de
compra
do insumo.
Na hipótese de o produtor ter comprometido 50% da
produção ao preço médio de
US$ 18,0/saca,
isso representava uma perspectiva de geração de
receita
de US$ 900,0 por hectare em março/11, no momento da venda e
que,
convertido ao câmbio da época, equivalia a R$
1.485/hectare. No cenário atual (câmbio a US$
1,8/dólar em março/12), essa receita em
dólar
será convertida em R$ 1.620 por hectare, o que representa
aumento de R$ 135,0/hectare sobre a situação
inicial.
Impactos da
Valorização do Dólar –
Produtor de Sapezal / MT
Os
produtores que
realizaram operação de troca de insumo por
grão
estão parcialmente imunes à
valorização do
câmbio e à queda de CBOT. Aliás, tendem
a ser beneficiados,
já que a
safra disponível para comercialização
tende a
gerar uma receita mais elevada em Reais, caso a
cotação
no mercado internacional não se altere.
Segundo dados do IMEA (Instituto
Mato-grossense
de Economia Agrícola), cerca de 5% do total de compra de
insumos
foi negociado em dólar no estado na safra 2011/12 de soja.
Assim, o impacto da
desvalorização cambial será limitado
sobre o
desembolso futuro para aquisição dos insumos. No
entanto,
não podemos esquecer-nos dos produtores que adquiriram
financiamento indexado ao dólar junto às
instituições financeiras, e que podem apresentar
um
acréscimo no montante de contas a pagar a partir do final do
primeiro semestre de 2012, quando haverá o vencimento dessas
contas. Nesse caso, pode haver um aumento do valor final do custo de
produção, em função do
incremento na linha
“custo do capital de giro”.
Em relação ao
Sul do Brasil, como
o mercado interno está em alta, a melhor
situação
no momento é para os produtores que não
realizaram venda
antecipada da soja, como é comum para aqueles atendidos por
cooperativas no Paraná e Rio Grande do Sul. Nesse caso, a
perspectiva de rentabilidade está melhor que a dos
produtores
que já fizeram venda antecipada. Isso porque o mercado de
soja
tem se mantido em alta no mercado interno ao longo do ano.
Em
Londrina, por
exemplo, a perspectiva de preço médio de venda
para um
produtor que já realizou venda antecipada de 37,7% da
produção (operações de
troca e
pré-fixação a partir de abril/11)
é de R$ 44,07/saca. Já para o produtor, na mesma
região, que ainda tem toda a soja disponível para
venda,
a perspectiva de preço médio é de
R$48,07/saca. O lucro operacional projetado para o primeiro produtor
é de R$ 907,3/hectare, enquanto o lucro para o segundo
produtor
é de R$ 1.065,72/hectare.
No entanto, o risco
econômico é
mais elevado para os produtores que não realizaram venda
antecipada, já que suas receitas estão
descobertas. Em
cenários de grande instabilidade como o atual, é
recomendável a venda de parte da
produção, para
mitigação do risco.
Rentabilidade
de Produtores de Soja no Paraná – Safra 2011/12

Alerta!
Se a
situação na Europa deteriorar mais e CBOT vier
abaixo de
US$ 10,00/bu o câmbio deveria se posicionar, em tese, entre
R$
2,10 e R$ 2,20/US$, em um mercado livre...o ponto é que o
mercado
não é tão livre assim e, com certeza,
o BACEN iria
intervir no câmbio para deixá-lo na casa de R$
1,80 a R$
1,90/US$...Considerando as nossas polpudas reservas cambiais
, o
BACEN não teria dificuldade em atingir essa meta. Se essa
tese
se confirmar, os produtores seriam prejudicados, pois os
preços
na “origem” cairiam.
|
| Rating |


Soja
Em
função da acentuação da
crise na Europa no mês de setembro, investidores
internacionais
passaram a evitar ativos de maior
risco, como é o caso das commodities. Como
consequência,
os contratos futuros negociados tanto no Brasil quanto na CME/CBOT
caíram, provocando a queda nos preços da soja.
Essa baixa
é compensada em parte pela elevação do
câmbio, que favorece os produtos brasileiros. Entretanto,
pelo
mesmo motivo, os custos de produção
deverão
aumentar.
Açúcar
Os
preços do
açúcar estavam bastante elevados até o
começo de setembro, por isso, apesar da expressiva queda ao
longo do mês, as cotações ainda superam
em 14,5% as
do mesmo período do ano passado. Além da fuga de
investidores dos ativos agrícolas, o que explica essa baixa
é também o fato de haver casos de usinas que
precisam
formar caixa e, por isso, vendem açúcar em
pequenos
volumes e sob preços menores. Porém, a demanda
por
açúcar ainda é alta, principalmente na
Ásia, e os preços não devem seguir em
queda por
muito tempo. Apesar da valorização do
dólar frente
ao real, as exportações brasileiras de
açúcar acumulam queda de 7,1% nesta safra com
relação ao ciclo passado, o que pode ser
explicado pela
quebra na safra de cana, causada por fatores climáticos.
|
| Desenvolvimento |
A Agrometrika implementa constantemente melhorias em seu Sistema, para
o aperfeiçoamento da qualidade da
informação e da
análise de crédito aos seus clientes. Alguns dos
itens
que estão em desenvolvimento para
publicação pela
Agrometrika são:
- Criação
de INTELIGÊNCIA ATIVA para cadastro de propriedades rurais: a
partir do município em que a propriedade rural for
cadastrada, a
Agrometrika oferecerá o valor da terra, por hectare, para os
tipos de solo predominantes na região. O intuito
é
oferecer ao cliente da Agrometrika um melhor dimensionamento do valor
da garantia real oferecida pelo tomador de crédito.
-
Criação de INTELIGÊNCIA ATIVA para
cadastro de máquinas e equipamentos:a
partir de um cadastramento de máquinas e equipamentos
(tratores,
colheitadeiras, plantadeiras etc), e a partir do ano de
fabricação, modelo e marca, a Agrometrika
estimará
o valor do item cadastrado. O intuito também é
melhorar a
gestão de garantias do tomador de crédito.
- Criação
de INTELIGÊNCIA ATIVA para cadastro de CPR: a
partir do local de origem e produto constante na CPR,
a
Agrometrika, através de sua base de dados faz o
acompanhamento dos preços no mercado a termo e o impacto
cambial, oferecendo uma valoração do
título
emitido.
|
|