Boletim Agrometrika - Outubro
 
 
Boletim Agrometrika | nº 03 | Outubro | 2011
 Inteligência Ativa®

Flutuação Cambial e a Rentabilidade da Safra

A recente valorização do Dólar frente ao Real trouxe alguma surpresa para os produtores agrícolas. Aqueles que possuem contratos de prefixação em US$ ficaram felizes, já que essa valorização traz a perspectiva de melhora dos preços a serem recebidos no momento da entrega em 2012. Já aqueles produtores que realizaram a compra de insumos na moeda americana para pagamento a prazo safra, e ainda não fixaram ou prefixaram pouco, estão menos contentes com o movimento.

A rápida mudança de cenário se deve ao recrudescimento da crise da dívida europeia que provocou a fuga dos especuladores para os mercados de menor risco, ou seja, a busca dos títulos americanos, considerados “os mais seguros do mundo”. Esse também foi o motivo que provocou a queda dos preços das commodities no mercado internacional em setembro/11 como efeito reflexo. Como referência, nesse mês, de forma geral, houve a maior queda das commodities desde 2008, quando houve a quebra do banco Lehman Brothers.

No cenário internacional, temos observado, especialmente no final de setembro, a fuga dos hedge e speculative funds do mercado de commodities em busca de ativos mais seguros e também para cobrir a falta de liquidez, especialmente dos bancos europeus.
  
O contrato de soja em CBOT, com vencimento em mar/12, por exemplo, passou de US$ 14,49/bushel para US$ 11,98/bushel, entre o primeiro e o último dia do mês. Na BM&F, a cotação caiu de US$31,98/saca para US$ 28,10/saca. Já o contrato de milho, com vencimento no mesmo mês, passou de US$ 7,50/bushel para US$ 6,05/bushel no mesmo período em CBOT e na BM&F caiu de R$ 28,80/saca para R$ 27,00/saca. Nesse sentido, a queda das commodities tem anulado o efeito positivo da alta do dólar para o setor exportador agrícola.

Queremos chamar a atenção para os produtores que realizaram compras de insumos em dólar para pagamento a prazo safra junto aos seus fornecedores. Para os produtores que fizeram essa operação, o custo de produção apresenta perspectiva de ser maior, em função do encarecimento do dólar. Não podemos esquecer que, na maior parte dos casos, os mesmos produtores que indexaram a compra de insumos ao dólar também já indexaram a venda da safra futura a essa moeda, até o final de agosto/11. De certa forma, essa compensação minimiza o problema. Nesse caso, o impacto negativo do aumento do custo de produção é pequeno se comparado ao aumento da receita gerada pela venda do grão.

Na Tabela seguinte, mostramos o impacto da valorização cambial sobre resultado econômico de um produtor em Sapezal/MT. Esse produtor realizou compra de defensivos em dólar em março de 2011, ao valor de US$ 129,6/hectare. Na época, com o câmbio no patamar de R$ 1,65/dólar, essa compra representava uma perspectiva de desembolso futuro de R$ 213,8, em março/12, mês do vencimento. No cenário atual, supondo que o câmbio esteja a R$ 1,80/dólar no momento do vencimento, a compra de defensivos representará um desembolso de R$ 233,3/hectare, o que significa um aumento de R$ 19,5/hectare sobre a expectativa inicial, no momento de efetivação de compra do insumo.

Na hipótese de o produtor ter comprometido 50% da produção ao preço médio de US$ 18,0/saca, isso representava uma perspectiva de geração de receita de US$ 900,0 por hectare em março/11, no momento da venda e que, convertido ao câmbio da época, equivalia a R$ 1.485/hectare. No cenário atual (câmbio a US$ 1,8/dólar em março/12), essa receita em dólar será convertida em R$ 1.620 por hectare, o que representa aumento de R$ 135,0/hectare sobre a situação inicial.


Impactos da Valorização do Dólar – Produtor de Sapezal / MT



Os produtores que realizaram operação de troca de insumo por grão estão parcialmente imunes à valorização do câmbio e à queda de CBOT. Aliás, tendem a ser beneficiados, já que a safra disponível para comercialização tende a gerar uma receita mais elevada em Reais, caso a cotação no mercado internacional não se altere.

Segundo dados do IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola), cerca de 5% do total de compra de insumos foi negociado em dólar no estado na safra 2011/12 de soja. Assim, o impacto da desvalorização cambial será limitado sobre o desembolso futuro para aquisição dos insumos. No entanto, não podemos esquecer-nos dos produtores que adquiriram financiamento indexado ao dólar junto às instituições financeiras, e que podem apresentar um acréscimo no montante de contas a pagar a partir do final do primeiro semestre de 2012, quando haverá o vencimento dessas contas. Nesse caso, pode haver um aumento do valor final do custo de produção, em função do incremento na linha “custo do capital de giro”.

Em relação ao Sul do Brasil, como o mercado interno está em alta, a melhor situação no momento é para os produtores que não realizaram venda antecipada da soja, como é comum para aqueles atendidos por cooperativas no Paraná e Rio Grande do Sul. Nesse caso, a perspectiva de rentabilidade está melhor que a dos produtores que já fizeram venda antecipada. Isso porque o mercado de soja tem se mantido em alta no mercado interno ao longo do ano.

Em Londrina, por exemplo, a perspectiva de preço médio de venda para um produtor que já realizou venda antecipada de 37,7% da produção (operações de troca e pré-fixação a partir de abril/11) é de R$ 44,07/saca. Já para o produtor, na mesma região, que ainda tem toda a soja disponível para venda, a perspectiva de preço médio é de R$48,07/saca. O lucro operacional projetado para o primeiro produtor é de R$ 907,3/hectare, enquanto o lucro para o segundo produtor é de R$ 1.065,72/hectare.

No entanto, o risco econômico é mais elevado para os produtores que não realizaram venda antecipada, já que suas receitas estão descobertas. Em cenários de grande instabilidade como o atual, é recomendável a venda de parte da produção, para mitigação do risco.


Rentabilidade de Produtores de Soja no Paraná – Safra 2011/12



Alerta! Se a situação na Europa deteriorar mais e CBOT vier abaixo de US$ 10,00/bu o câmbio deveria se posicionar, em tese, entre R$ 2,10 e R$ 2,20/US$, em um mercado livre...o ponto é que o mercado não é tão livre assim e, com certeza, o BACEN iria intervir no câmbio para deixá-lo na casa de R$ 1,80 a R$ 1,90/US$...Considerando as nossas polpudas reservas  cambiais , o BACEN não teria dificuldade em atingir essa meta. Se essa tese se confirmar, os produtores seriam prejudicados, pois os preços na “origem” cairiam.

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Soja

Em função da acentuação da crise na Europa no mês de setembro, investidores internacionais passaram a evitar ativos de maior risco, como é o caso das commodities. Como consequência, os contratos futuros negociados tanto no Brasil quanto na CME/CBOT caíram, provocando a queda nos preços da soja. Essa baixa é compensada em parte pela elevação do câmbio, que favorece os produtos brasileiros. Entretanto, pelo mesmo motivo, os custos de produção deverão aumentar.

Açúcar

Os preços do açúcar estavam bastante elevados até o começo de setembro, por isso, apesar da expressiva queda ao longo do mês, as cotações ainda superam em 14,5% as do mesmo período do ano passado. Além da fuga de investidores dos ativos agrícolas, o que explica essa baixa é também o fato de haver casos de usinas que precisam formar caixa e, por isso, vendem açúcar em pequenos volumes e sob preços menores. Porém, a demanda por açúcar ainda é alta, principalmente na Ásia, e os preços não devem seguir em queda por muito tempo. Apesar da valorização do dólar frente ao real, as exportações brasileiras de açúcar acumulam queda de 7,1% nesta safra com relação ao ciclo passado, o que pode ser explicado pela quebra na safra de cana, causada por fatores climáticos.




 Desenvolvimento

A Agrometrika implementa constantemente melhorias em seu Sistema, para o aperfeiçoamento da qualidade da informação e da análise de crédito aos seus clientes. Alguns dos itens que estão em desenvolvimento para publicação pela Agrometrika são:

- Criação de INTELIGÊNCIA ATIVA para cadastro de propriedades rurais: a partir do município em que a propriedade rural for cadastrada, a Agrometrika oferecerá o valor da terra, por hectare, para os tipos de solo predominantes na região. O intuito é oferecer ao cliente da Agrometrika um melhor dimensionamento do valor da garantia real oferecida pelo tomador de crédito.



- Criação de INTELIGÊNCIA ATIVA para cadastro de máquinas e equipamentos:a partir de um cadastramento de máquinas e equipamentos (tratores, colheitadeiras, plantadeiras etc), e a partir do ano de fabricação, modelo e marca, a Agrometrika estimará o valor do item cadastrado. O intuito também é melhorar a gestão de garantias do tomador de crédito.

- Criação de INTELIGÊNCIA ATIVA para cadastro de CPR: a partir do local de origem e produto constante na CPR, a Agrometrika, através de sua base de dados faz o acompanhamento dos preços no mercado a termo e o impacto cambial, oferecendo uma valoração do título emitido.


                                                                                                                                                                                                                                
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